(Bertold Brecht)
Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adoptariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não morressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas goelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as goelas dos tubarões. A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as goelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Repensando o bolchevismo e o estalinismo
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1641004&tid=11248809&na=4&nst=1&nid=1641004-11248809-67094242
(trechos de um diálogo no Orkut)
Repensando o bolchevismo e o estalinismo
Começo com a pergunta: como o bolchevismo e o estalinismo puderam hegemonizar a consciência da esquerda durante tanto tempo? Como pode haver estalinistas ainda hoje?
Uma das coisas que mais me impressiona naquela comunidade Marx-Brasil é o número de militantes estalinistas e adeptos do leninismo.
Será que eles são mais do que meia torcida da Portuguesa e lotam 2 kombis?Ou ainda têm alguma força no submundo do militantismo esquerdista ?
"E os trotskistas, se por um lado lêem mais e tem um discurso mais próximo do leninismo e mais ortodoxo (eles tem muito mais argumentação e conhecimento de causa que os estalinistas), por outro são tão cegos e fanáticos, e tem aquele discursinho que não vira o disco há 80 anos. O Conlute, como alternativa de movimento estudantil, sendo controlado pelo PSTU, nada mais é que outra UNE em potencial, talvez um pouco mais crítica.
Em suma, um trotskista é um estalinista de oposição, é um estalinista que não chegou ao poder e por isso o critica. O trotskista é um estalinista, pois no fundo, tem as mesmas concepções e usam os mesmos métodos centralistas e expurgos. Não passam de sacerdotes fanáticos do trabalho e da mercadoria."
Concordo plenamente. Para melhorar a tua fórmula, digamos que o trotskysmo é um estalinismo potencial, que ainda não realizou seu conceito - por puro acaso histórico, pois a teoria afirmativa dos exércitos do trabalho está em Trotsky no Comunismo e Terrorismo.
A base de tudo isso é o bolchevismo, o centralismo democrático, que funciona da seguinte maneira: democracia interna limitada às assembléias, centralismo e terror pra fora. E esses analfabetos teóricos ainda se denominam "vanguarda", o que é pior.
"Mas a questão é: essa onda estalinista, após uma soneca razoável: ela representa algo relevante de fato para analisarmos tanto a predominância do leninismo no movimento operário ao longo de todo esse tempo quanto o declínio atual da esquerda tradicional?"
Acho que é fundamental ter claro essa origem nefasta da esquerda brasileira, e até onde ela deita raízes. Não sabia que o estalinismo era tão forte ainda, foi um susto, pensei que o PC do B tinha se liqüefeito após 89. E o pior: ele se reproduz entre estudantes, gente em tese mais esclarecida.
Enfim, esse diagnóstico é importante também para entender o declínio da esquerda brasileira. Já que o estalinismo ruiu junto com Krushev etc. e com o socialismo real em 89, então dá pra entender como a esquerda foi indo para o campo da social-democracia e do liberalismo, descartando ou enterrando a atuação "democrática radical" do tipo luxemburguista ou conselhista.
Aliás, deixo uma pergunta: esta última nunca deitou entre nós como possibilidade ? Nem entre os anarquistas ?
ALGUNS TÓPICOS DE DISCUSSÃO
Pablo,
concordo contigo. Temos de estudar mais a fundo as formas já existentes de autogestão, daqui ou lá de fora, para analisar as falhas e as possibilidades de multiplicação de experiência.
Creio que o descontentamento com o mercado e com o Estado é latente no povo brasileiro. O brasileiro típico odeia política e burocracia, quer resolver as coisas diretamente, embora na maioria das vezes apelando pro "jeitinho brasileiro", isto é, para privilégios clientelistas.
O debate então se dá em várias frentes:
1) Uma crítica mordaz do modo de vida capitalista em crise, inclusive das classes médias, que são o guardião econômico e simbólico do sistema.
2) Uma crítica à experiência bolchevista de esquerda
3) Uma retomada crítica da experiência anarquista e conselhista de organização no Brasil e no mundo.
4) Análise concreta dos movimentos sociais autogestionários, as falhas (a integração/desintegração no mercado capitalista) e as possibilidades (ruptura da divisão do trabalho etc.).
etc. etc.
(trechos de um diálogo no Orkut)
Repensando o bolchevismo e o estalinismo
Começo com a pergunta: como o bolchevismo e o estalinismo puderam hegemonizar a consciência da esquerda durante tanto tempo? Como pode haver estalinistas ainda hoje?
Uma das coisas que mais me impressiona naquela comunidade Marx-Brasil é o número de militantes estalinistas e adeptos do leninismo.
Será que eles são mais do que meia torcida da Portuguesa e lotam 2 kombis?Ou ainda têm alguma força no submundo do militantismo esquerdista ?
"E os trotskistas, se por um lado lêem mais e tem um discurso mais próximo do leninismo e mais ortodoxo (eles tem muito mais argumentação e conhecimento de causa que os estalinistas), por outro são tão cegos e fanáticos, e tem aquele discursinho que não vira o disco há 80 anos. O Conlute, como alternativa de movimento estudantil, sendo controlado pelo PSTU, nada mais é que outra UNE em potencial, talvez um pouco mais crítica.
Em suma, um trotskista é um estalinista de oposição, é um estalinista que não chegou ao poder e por isso o critica. O trotskista é um estalinista, pois no fundo, tem as mesmas concepções e usam os mesmos métodos centralistas e expurgos. Não passam de sacerdotes fanáticos do trabalho e da mercadoria."
Concordo plenamente. Para melhorar a tua fórmula, digamos que o trotskysmo é um estalinismo potencial, que ainda não realizou seu conceito - por puro acaso histórico, pois a teoria afirmativa dos exércitos do trabalho está em Trotsky no Comunismo e Terrorismo.
A base de tudo isso é o bolchevismo, o centralismo democrático, que funciona da seguinte maneira: democracia interna limitada às assembléias, centralismo e terror pra fora. E esses analfabetos teóricos ainda se denominam "vanguarda", o que é pior.
"Mas a questão é: essa onda estalinista, após uma soneca razoável: ela representa algo relevante de fato para analisarmos tanto a predominância do leninismo no movimento operário ao longo de todo esse tempo quanto o declínio atual da esquerda tradicional?"
Acho que é fundamental ter claro essa origem nefasta da esquerda brasileira, e até onde ela deita raízes. Não sabia que o estalinismo era tão forte ainda, foi um susto, pensei que o PC do B tinha se liqüefeito após 89. E o pior: ele se reproduz entre estudantes, gente em tese mais esclarecida.
Enfim, esse diagnóstico é importante também para entender o declínio da esquerda brasileira. Já que o estalinismo ruiu junto com Krushev etc. e com o socialismo real em 89, então dá pra entender como a esquerda foi indo para o campo da social-democracia e do liberalismo, descartando ou enterrando a atuação "democrática radical" do tipo luxemburguista ou conselhista.
Aliás, deixo uma pergunta: esta última nunca deitou entre nós como possibilidade ? Nem entre os anarquistas ?
ALGUNS TÓPICOS DE DISCUSSÃO
Pablo,
concordo contigo. Temos de estudar mais a fundo as formas já existentes de autogestão, daqui ou lá de fora, para analisar as falhas e as possibilidades de multiplicação de experiência.
Creio que o descontentamento com o mercado e com o Estado é latente no povo brasileiro. O brasileiro típico odeia política e burocracia, quer resolver as coisas diretamente, embora na maioria das vezes apelando pro "jeitinho brasileiro", isto é, para privilégios clientelistas.
O debate então se dá em várias frentes:
1) Uma crítica mordaz do modo de vida capitalista em crise, inclusive das classes médias, que são o guardião econômico e simbólico do sistema.
2) Uma crítica à experiência bolchevista de esquerda
3) Uma retomada crítica da experiência anarquista e conselhista de organização no Brasil e no mundo.
4) Análise concreta dos movimentos sociais autogestionários, as falhas (a integração/desintegração no mercado capitalista) e as possibilidades (ruptura da divisão do trabalho etc.).
etc. etc.
VI COLÓQUIO MARX E ENGELS (CEMARX)
VI COLÓQUIO MARX E ENGELS (CEMARX)
Eventos O Centro de Estudos Marxistas (Cemarx), do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), iniciou a chamada de trabalhos para o VI COLÓQUIO INTERNACIONAL MARX E ENGELS. A inscrição de trabalhos estará aberta entre 2 de março e 15 de junho de 2009.
INFORMAÇÕES GERAIS
O Colóquio Internacional Marx e Engels acolhe, fundamentalmente, dois tipos de comunicações: as que tomem a teoria marxista como objeto de pesquisa, seja para analisar essa teoria, criticá-la ou desenvolvê-la, e as que utilizem o aparato conceitual do marxismo em pesquisas empíricas ou teóricas que se enquadrem nos Grupos Temáticos desse evento.
Os pesquisadores interessados em inscrever seus trabalhos deverão indicar em qual Grupo Temático eles se inserem. Eventualmente, a Comissão Organizadora do VI Colóquio Internacional Marx e Engels poderá remanejar a distribuição das propostas de um grupo para outro.
Os Grupos Temáticos do V Colóquio são os seguintes:
GT 1 - A obra teórica de Marx
Exame crítico das obras de Marx e de Engels. As polêmicas suscitadas pela obra teórica de Marx e Engels.
GT 2 – Os marxismos
Exame crítico das obras dos clássicos do marxismo dos séculos XIX e XX. As correntes do pensamento marxista e suas transformações. A obra teórica dos marxistas brasileiros e latino-americanos. A questão da renovação e atualização do marxismo.
GT 3 - Marxismo e ciências humanas
Exame da presença do marxismo na economia, na sociologia, na ciência política, na antropologia, na história, na área de relações internacionais, na geografia, no serviço social e no direito. Exame da crítica marxista das ciências humanas e das contribuições das ciências humanas para o desenvolvimento do marxismo. Polêmicas teóricas e desenvolvimentos conceituais do marxismo nessas áreas de conhecimento. A presença do marxismo na universidade brasileira e latino-americana.
GT 4 - Economia e política no capitalismo contemporâneo
Enfoque marxista das transformações econômicas, políticas e sociais do capitalismo no final do século XX e início do século XXI. Novos padrões de acumulação de capital, nova fase do imperialismo, transformações do Estado e da democracia capitalista. A situação dos países dominantes e dos países dependentes. Brasil e América Latina.
GT 5 - Relações de classe no capitalismo contemporâneo
Enfoque marxista das transformações ocorridas na estrutura de classes. Trabalhadores, classe operária, “nova classe operária” e “classe média”. A pequena burguesia. O campesinato no capitalismo atual. O debate sobre o declínio da polarização de classes no final do século XX e início do século XXI. As classes trabalhadoras e os movimentos sociais e populares. A nova configuração da burguesia. As classes sociais no Brasil e na América Latina. O conceito marxista de classe social e de luta de classes face ao capitalismo contemporâneo.
GT 6 - Educação, capitalismo e socialismo
As relações do sistema educacional com o capitalismo da perspectiva marxista: formação da força de trabalho; educação e classes sociais; ideologia e processo educacional; política educacional. Análise marxista da educação no Brasil e na América Latina. Os aparelhos culturais do capitalismo (universidades, centros de pesquisa). Os centros culturais criados pelo movimento socialista. Análise das experiências educacionais realizadas nas sociedades surgidas das revoluções socialistas do século XX. A teoria marxista e a educação.
GT 7 - Cultura, capitalismo e socialismo
Capitalismo e produção cultural: as novas tendências; as artes plásticas, a literatura e a indústria cultural. Análise marxista da cultura no Brasil e na América Latina. Cultura e socialismo: os movimentos culturais nas sociedades surgidas das revoluções do século XX. O marxismo e a produção cultural.
GT 8 - Socialismo no século XXI
Análise marxista das revoluções do século XX. A herança comunista e socialista dos séculos XIX e XX e o socialismo do século XXI. Marxismo e socialismo. A questão da renovação do socialismo. Teoria da transição ao socialismo. Trabalhadores e transição socialista. Trunfos e obstáculos para a reconstrução do movimento socialista no século XXI.
GT 9 – Trabalho e produção no capitalismo contemporâneo
Teoria social, trabalho e produção. As concepções teóricas sobre o universo produtivo. Processos de produção: processo de valorização e processo de trabalho. Controle e gestão do processo de trabalho. Luta de classes na produção. Precarização das condições de trabalho e emprego e requalificação da força de trabalho. Teorias sobre a afirmação e recusa da centralidade do trabalho. As novas formas de exploração do trabalho: trabalho imaterial, trabalho informal, precário e informacional.
INSCRIÇÃO DE TRABALHOS
A inscrição de trabalhos poderá ser feita entre 2 de março e 15 de junho de 2009. O pesquisador deverá preencher a ficha de inscrição na página do Cemarx (www.unicamp.br/cemarx). Além disso, deverá enviar duas cópias impressas de seu trabalho para o Cemarx, juntamente com uma cópia da ficha de inscrição. Atenção! O autor deverá indicar na parte externa do envelope e de modo visível:
a) o Grupo Temático (GT) para o qual está enviando sua comunicação ou proposta de mesa coordenada;
b) o seu endereço postal completo e o seu endereço eletrônico.
MODALIDADES DE INSCRIÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS
1. Comunicações
O texto da comunicação deverá conter entre quinze e vinte e quatro mil caracteres (contando espaço e notas), perfazendo um máximo de dez páginas, em times new roman 12. As propostas de trabalho que ultrapassarem esse limite não serão consideradas. Do texto, deverão constar: nome do evento, o título do trabalho, o nome do(s) autor(es) e a sua(s) condição(ões) (professor, pós-graduando ou pesquisador independente), GT a que se destina. O texto do trabalho deve definir claramente o tema que será examinado, a metodologia utilizada na pesquisa e apresentar as suas teses e argumentos e explicitar o debate (teórico, historiográfico ou político) no qual o trabalho se insere. Importante! Os textos devem seguir as normas de citação apresentadas na página do Cemarx.
2. Mesas coordenadas
Uma mesa coordenada é composta de um conjunto de ao menos quatro comunicações inscritas no âmbito de um GT. Um número reduzido de mesas coordenadas serão aceitas, privilegiando nesta modalidade de inscrição propostas encaminhadas por grupos, núcleos ou centros de pesquisa, bem como associações científicas e culturais. As comunicações dos participantes da mesa, formatadas de acordo com o item anterior, deverão ser enviadas conjuntamente, acompanhadas de uma breve justificativa da mesa. Cabe à instituição proponente obter os recursos necessários à participação dos componentes da mesa.
3. Pôsteres
O VI Colóquio Internacional Marx e Engels está aberto à participação de estudantes de graduação, que poderão apresentar trabalhos de pesquisa de iniciação científica ou de conclusão de curso cujos temas se enquadrem em um dos Grupos Temáticos do colóquio.
O resumo do trabalho deverá conter de três a cinco mil caracteres (contando espaço e notas) em times new roman 12. Do texto deverão constar o título do trabalho, o nome do autor e o curso de graduação no qual ele está matriculado. O texto deve apresentar o tema da pesquisa e as suas principais idéias e informações. As instruções para a confecção do pôster serão publicadas na página eletrônica do Cemarx.
DIVULGAÇÃO DE RESULTADOS
As inscrições encerram-se no dia 15 de junho. Os trabalhos aceitos serão divulgados na página do Cemarx, conforme o cronograma abaixo:
30 de julho: comunicações;
15 de agosto: pôsteres.
Os resultados serão divulgados quatro meses antes do início do evento para que todos tenham tempo de solicitar financiamento às agências de fomento e universidades, uma vez que o Cemarx não pode financiar os participantes do evento.
PROGRAMAÇÃO GERAL
Dia 3 de novembro (terça-feira)
14h às 18h: Sessão plenária I
19h: Reunião dos grupos de trabalho
Dia 4 de novembro (quarta-feira)
9h às 12h: Sessão plenária II
12h às 14h: Painéis
14h às 18h: Mesas coordenadas
18h30: Lançamento de livros
19h: Reunião da revista Crítica Marxista
Dia 5 de novembro (quinta-feira)
9h às 12h: Sessão plenária III
12h às 14h: Painéis
14h às 18h: Reunião dos grupos de trabalho
18h30: Lançamento de livros
19h: Reunião da revista Outubro
Dia 6 de novembro (sexta-feira)
9h às 12h: Reunião dos grupos de trabalho
12h às 14h: Painéis
14h às 18h: Sessão plenária IV
19h: Jantar de encerramento
ENDEREÇOS E CONTATOS
Inscrições:
Centro de Estudos Marxistas (Cemarx), IFCH-Unicamp
Caixa Postal 6110 CEP 13083-970 Campinas SP ‑ Brasil
(5519) 3521-1639/ www.unicamp.br/cemarx/ cemarx@unicamp.br
Informações (a partir de 01 de agosto de 2009):
Secretaria de Eventos do IFCH-Unicamp (5519) 3521-1601 / seceven@unicamp.br
Eventos O Centro de Estudos Marxistas (Cemarx), do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), iniciou a chamada de trabalhos para o VI COLÓQUIO INTERNACIONAL MARX E ENGELS. A inscrição de trabalhos estará aberta entre 2 de março e 15 de junho de 2009.
INFORMAÇÕES GERAIS
O Colóquio Internacional Marx e Engels acolhe, fundamentalmente, dois tipos de comunicações: as que tomem a teoria marxista como objeto de pesquisa, seja para analisar essa teoria, criticá-la ou desenvolvê-la, e as que utilizem o aparato conceitual do marxismo em pesquisas empíricas ou teóricas que se enquadrem nos Grupos Temáticos desse evento.
Os pesquisadores interessados em inscrever seus trabalhos deverão indicar em qual Grupo Temático eles se inserem. Eventualmente, a Comissão Organizadora do VI Colóquio Internacional Marx e Engels poderá remanejar a distribuição das propostas de um grupo para outro.
Os Grupos Temáticos do V Colóquio são os seguintes:
GT 1 - A obra teórica de Marx
Exame crítico das obras de Marx e de Engels. As polêmicas suscitadas pela obra teórica de Marx e Engels.
GT 2 – Os marxismos
Exame crítico das obras dos clássicos do marxismo dos séculos XIX e XX. As correntes do pensamento marxista e suas transformações. A obra teórica dos marxistas brasileiros e latino-americanos. A questão da renovação e atualização do marxismo.
GT 3 - Marxismo e ciências humanas
Exame da presença do marxismo na economia, na sociologia, na ciência política, na antropologia, na história, na área de relações internacionais, na geografia, no serviço social e no direito. Exame da crítica marxista das ciências humanas e das contribuições das ciências humanas para o desenvolvimento do marxismo. Polêmicas teóricas e desenvolvimentos conceituais do marxismo nessas áreas de conhecimento. A presença do marxismo na universidade brasileira e latino-americana.
GT 4 - Economia e política no capitalismo contemporâneo
Enfoque marxista das transformações econômicas, políticas e sociais do capitalismo no final do século XX e início do século XXI. Novos padrões de acumulação de capital, nova fase do imperialismo, transformações do Estado e da democracia capitalista. A situação dos países dominantes e dos países dependentes. Brasil e América Latina.
GT 5 - Relações de classe no capitalismo contemporâneo
Enfoque marxista das transformações ocorridas na estrutura de classes. Trabalhadores, classe operária, “nova classe operária” e “classe média”. A pequena burguesia. O campesinato no capitalismo atual. O debate sobre o declínio da polarização de classes no final do século XX e início do século XXI. As classes trabalhadoras e os movimentos sociais e populares. A nova configuração da burguesia. As classes sociais no Brasil e na América Latina. O conceito marxista de classe social e de luta de classes face ao capitalismo contemporâneo.
GT 6 - Educação, capitalismo e socialismo
As relações do sistema educacional com o capitalismo da perspectiva marxista: formação da força de trabalho; educação e classes sociais; ideologia e processo educacional; política educacional. Análise marxista da educação no Brasil e na América Latina. Os aparelhos culturais do capitalismo (universidades, centros de pesquisa). Os centros culturais criados pelo movimento socialista. Análise das experiências educacionais realizadas nas sociedades surgidas das revoluções socialistas do século XX. A teoria marxista e a educação.
GT 7 - Cultura, capitalismo e socialismo
Capitalismo e produção cultural: as novas tendências; as artes plásticas, a literatura e a indústria cultural. Análise marxista da cultura no Brasil e na América Latina. Cultura e socialismo: os movimentos culturais nas sociedades surgidas das revoluções do século XX. O marxismo e a produção cultural.
GT 8 - Socialismo no século XXI
Análise marxista das revoluções do século XX. A herança comunista e socialista dos séculos XIX e XX e o socialismo do século XXI. Marxismo e socialismo. A questão da renovação do socialismo. Teoria da transição ao socialismo. Trabalhadores e transição socialista. Trunfos e obstáculos para a reconstrução do movimento socialista no século XXI.
GT 9 – Trabalho e produção no capitalismo contemporâneo
Teoria social, trabalho e produção. As concepções teóricas sobre o universo produtivo. Processos de produção: processo de valorização e processo de trabalho. Controle e gestão do processo de trabalho. Luta de classes na produção. Precarização das condições de trabalho e emprego e requalificação da força de trabalho. Teorias sobre a afirmação e recusa da centralidade do trabalho. As novas formas de exploração do trabalho: trabalho imaterial, trabalho informal, precário e informacional.
INSCRIÇÃO DE TRABALHOS
A inscrição de trabalhos poderá ser feita entre 2 de março e 15 de junho de 2009. O pesquisador deverá preencher a ficha de inscrição na página do Cemarx (www.unicamp.br/cemarx). Além disso, deverá enviar duas cópias impressas de seu trabalho para o Cemarx, juntamente com uma cópia da ficha de inscrição. Atenção! O autor deverá indicar na parte externa do envelope e de modo visível:
a) o Grupo Temático (GT) para o qual está enviando sua comunicação ou proposta de mesa coordenada;
b) o seu endereço postal completo e o seu endereço eletrônico.
MODALIDADES DE INSCRIÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS
1. Comunicações
O texto da comunicação deverá conter entre quinze e vinte e quatro mil caracteres (contando espaço e notas), perfazendo um máximo de dez páginas, em times new roman 12. As propostas de trabalho que ultrapassarem esse limite não serão consideradas. Do texto, deverão constar: nome do evento, o título do trabalho, o nome do(s) autor(es) e a sua(s) condição(ões) (professor, pós-graduando ou pesquisador independente), GT a que se destina. O texto do trabalho deve definir claramente o tema que será examinado, a metodologia utilizada na pesquisa e apresentar as suas teses e argumentos e explicitar o debate (teórico, historiográfico ou político) no qual o trabalho se insere. Importante! Os textos devem seguir as normas de citação apresentadas na página do Cemarx.
2. Mesas coordenadas
Uma mesa coordenada é composta de um conjunto de ao menos quatro comunicações inscritas no âmbito de um GT. Um número reduzido de mesas coordenadas serão aceitas, privilegiando nesta modalidade de inscrição propostas encaminhadas por grupos, núcleos ou centros de pesquisa, bem como associações científicas e culturais. As comunicações dos participantes da mesa, formatadas de acordo com o item anterior, deverão ser enviadas conjuntamente, acompanhadas de uma breve justificativa da mesa. Cabe à instituição proponente obter os recursos necessários à participação dos componentes da mesa.
3. Pôsteres
O VI Colóquio Internacional Marx e Engels está aberto à participação de estudantes de graduação, que poderão apresentar trabalhos de pesquisa de iniciação científica ou de conclusão de curso cujos temas se enquadrem em um dos Grupos Temáticos do colóquio.
O resumo do trabalho deverá conter de três a cinco mil caracteres (contando espaço e notas) em times new roman 12. Do texto deverão constar o título do trabalho, o nome do autor e o curso de graduação no qual ele está matriculado. O texto deve apresentar o tema da pesquisa e as suas principais idéias e informações. As instruções para a confecção do pôster serão publicadas na página eletrônica do Cemarx.
DIVULGAÇÃO DE RESULTADOS
As inscrições encerram-se no dia 15 de junho. Os trabalhos aceitos serão divulgados na página do Cemarx, conforme o cronograma abaixo:
30 de julho: comunicações;
15 de agosto: pôsteres.
Os resultados serão divulgados quatro meses antes do início do evento para que todos tenham tempo de solicitar financiamento às agências de fomento e universidades, uma vez que o Cemarx não pode financiar os participantes do evento.
PROGRAMAÇÃO GERAL
Dia 3 de novembro (terça-feira)
14h às 18h: Sessão plenária I
19h: Reunião dos grupos de trabalho
Dia 4 de novembro (quarta-feira)
9h às 12h: Sessão plenária II
12h às 14h: Painéis
14h às 18h: Mesas coordenadas
18h30: Lançamento de livros
19h: Reunião da revista Crítica Marxista
Dia 5 de novembro (quinta-feira)
9h às 12h: Sessão plenária III
12h às 14h: Painéis
14h às 18h: Reunião dos grupos de trabalho
18h30: Lançamento de livros
19h: Reunião da revista Outubro
Dia 6 de novembro (sexta-feira)
9h às 12h: Reunião dos grupos de trabalho
12h às 14h: Painéis
14h às 18h: Sessão plenária IV
19h: Jantar de encerramento
ENDEREÇOS E CONTATOS
Inscrições:
Centro de Estudos Marxistas (Cemarx), IFCH-Unicamp
Caixa Postal 6110 CEP 13083-970 Campinas SP ‑ Brasil
(5519) 3521-1639/ www.unicamp.br/cemarx/ cemarx@unicamp.br
Informações (a partir de 01 de agosto de 2009):
Secretaria de Eventos do IFCH-Unicamp (5519) 3521-1601 / seceven@unicamp.br
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VAI ACONTECER...
CONFERÊNCIA SOBRE REALISMO CRÍTICO E EMANCIPAÇÃO HUMANA
CONFERÊNCIA SOBRE REALISMO CRÍTICO E EMANCIPAÇÃO HUMANA
2009-01-26 00:01:46
Eventos A XII Conferência Anual da Associação Internacional para o Realismo Crítico (IACR) terá como tema "Realismo e Emancipação Humana: Um Outro Mundo É Possível?". O evento será sediado pela Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, no período de 23 e 25 de julho de 2009 e contará com a presença de renomados intelectuais brasileiros e internacionais (Alex Callinicos, Alvaro Bianchi, Mario Duayer, Nicolas Tertulian, Roy Bashkar, Virgínia Fontes e muitos outros).
Tema da Conferência: Realismo e Emancipação Humana: Outro Mundo É Possível?
Nos últimos trinta anos o realismo crítico apresentou o seu projeto de elaborar uma ontologia que pudesse rivalizar em qualquer nível com a ontologia explícita nas tradições positivista e idealista. A ontologia resultante desse esforço coletivo deveria ser capaz de fornecer à ciência, natural e social, um fundamento filosófico explícito.
A filosofia para a ciência proposta pelo realismo crítico pressupõe que a verdade faz uma diferença. Contra doutrinas teóricas da moda contemporâneas, para as quais a verdade é simplesmente uma “quinta roda”, o realismo crítico concentra seus esforços na demonstração de que podemos ter um conhecimento objetivo da realidade. No caso da realidade social, o realismo crítico sustenta enfaticamente que o conhecimento objetivo é um pressuposto para a emancipação humana de estruturas sociais opressivas, desiguais, indesejáveis e desnecessárias.
Afirmar a verdade como uma condição para a emancipação humana parece ser ainda mais crucial nos dias de hoje, especialmente porque a surpreendente e abrupta retirada do “relativismo no atacado” prevalente nos anos 80 e 90 deixou um rastro de idéias que influenciam as práticas científica, econômica, política, cultural etc. A conferência tem a intenção de discutir, com a contribuição de diversas perspectivas teóricas realistas, a eliminação desse rastro que, fundado no realismo empírico, implícita ou explicitamente impede conceber outro mundo possível.
Chamada de Trabalhos
Data-limite para envio dos resumos: 16 de março de 2009. Os resumos devem ser enviados para iacr2009@vm.uff.br. Os resumos devem ser no máximo de 250 palavras, de preferência em formato Word. Os resumos selecionados serão notificados até meados de abril de 2009. Os artigos selecionados deverão ser entregues até 11 de maio de 2009.
A Conferência pretende receber contribuições de todas as áreas das ciências sociais e naturais. A chamada de trabalhos dirige-se a pesquisadores que investigam temas do realismo crítico e a todos aqueles que, desde diferentes perspectivas, procuram suspender o persistente embargo à crítica ontológica e, conseqüentemente, reafirmam o nexo entre verdade e emancipação humana.
Para mais informações, acesse o site oficial da conferência aqui
2009-01-26 00:01:46
Eventos A XII Conferência Anual da Associação Internacional para o Realismo Crítico (IACR) terá como tema "Realismo e Emancipação Humana: Um Outro Mundo É Possível?". O evento será sediado pela Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, no período de 23 e 25 de julho de 2009 e contará com a presença de renomados intelectuais brasileiros e internacionais (Alex Callinicos, Alvaro Bianchi, Mario Duayer, Nicolas Tertulian, Roy Bashkar, Virgínia Fontes e muitos outros).
Tema da Conferência: Realismo e Emancipação Humana: Outro Mundo É Possível?
Nos últimos trinta anos o realismo crítico apresentou o seu projeto de elaborar uma ontologia que pudesse rivalizar em qualquer nível com a ontologia explícita nas tradições positivista e idealista. A ontologia resultante desse esforço coletivo deveria ser capaz de fornecer à ciência, natural e social, um fundamento filosófico explícito.
A filosofia para a ciência proposta pelo realismo crítico pressupõe que a verdade faz uma diferença. Contra doutrinas teóricas da moda contemporâneas, para as quais a verdade é simplesmente uma “quinta roda”, o realismo crítico concentra seus esforços na demonstração de que podemos ter um conhecimento objetivo da realidade. No caso da realidade social, o realismo crítico sustenta enfaticamente que o conhecimento objetivo é um pressuposto para a emancipação humana de estruturas sociais opressivas, desiguais, indesejáveis e desnecessárias.
Afirmar a verdade como uma condição para a emancipação humana parece ser ainda mais crucial nos dias de hoje, especialmente porque a surpreendente e abrupta retirada do “relativismo no atacado” prevalente nos anos 80 e 90 deixou um rastro de idéias que influenciam as práticas científica, econômica, política, cultural etc. A conferência tem a intenção de discutir, com a contribuição de diversas perspectivas teóricas realistas, a eliminação desse rastro que, fundado no realismo empírico, implícita ou explicitamente impede conceber outro mundo possível.
Chamada de Trabalhos
Data-limite para envio dos resumos: 16 de março de 2009. Os resumos devem ser enviados para iacr2009@vm.uff.br. Os resumos devem ser no máximo de 250 palavras, de preferência em formato Word. Os resumos selecionados serão notificados até meados de abril de 2009. Os artigos selecionados deverão ser entregues até 11 de maio de 2009.
A Conferência pretende receber contribuições de todas as áreas das ciências sociais e naturais. A chamada de trabalhos dirige-se a pesquisadores que investigam temas do realismo crítico e a todos aqueles que, desde diferentes perspectivas, procuram suspender o persistente embargo à crítica ontológica e, conseqüentemente, reafirmam o nexo entre verdade e emancipação humana.
Para mais informações, acesse o site oficial da conferência aqui
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VAI ACONTECER...
IV JORNADA INTERNACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS
IV JORNADA INTERNACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS
Eventos No período de 25 a 28 de agosto de 2009 será realizada em São Luís-MA a IV Jornada Internacional de Políticas Públicas (IV JOINPP), com o tema "NEOLIBERALISMO E LUTAS SOCIAIS: perspectivas para as Políticas Públicas".
O evento é promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e o local do IV JOINPP é o campus universitário do Bacanga – UFMA, Bacanga - São Luís/MA. As inscrições já podem ser realizadas.
Para mais informações, consulte o site do evento clicando aqui.
O evento é promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e o local do IV JOINPP é o campus universitário do Bacanga – UFMA, Bacanga - São Luís/MA. As inscrições já podem ser realizadas.
Para mais informações, consulte o site do evento clicando aqui.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
O capital que pague
retirado de http://www.jornalmudardevida.net/?p=1432
O capital que pague
Sejamos claros: é a classe operária que sofre em primeiro lugar, e acima de todas as outras, o desgaste da crise. Basta ver as notícias e os números dos despedimentos. E o grosso dos apoios do Estado exclui precisamente os que mais sofrem com a situação.
Não é de espantar: para os capitalistas, sair da crise é forçar os assalariados a produzirem mais valor por cada euro de capital investido. Ignorar isto é ignorar tudo.
Apelos vagos à defesa “das pessoas” ou a “outra política” estão longe de evidenciar o conflito fundamental de interesses que a crise traz à superfície; e, por isso, não traçam uma linha que ponha de um lado as necessidades da classe operária, e do outro as ambições do capital. Ora, sobretudo nas actuais condições, defender os interesses económicos e sociais da classe operária significará um ganho para todas as demais classes trabalhadoras – mas a inversa não é verdadeira.
Posta a questão neste pé, há duas necessidades vitais, imediatas, do operariado que são de defesa obrigatória: o emprego e o nível de vida. E as medidas para isso são óbvias:
Suspender os despedimentos.
Reduzir o horário de trabalho sem baixar os salários, criando mais empregos, incluindo emprego público de utilidade social.
Aumentar o poder de compra, reduzindo o leque salarial, subindo os salários e reformas mais baixos.
Destinar o dinheiro do Estado para apoiar o emprego e a produção.
Há quem veja nisto “irrealismo”. Mas irrealismo é acreditar que se possa defender as necessidades de quem trabalha sem atacar os ganhos do capital. E porque se trata de atacar os ganhos do capital, sabemos que tais medidas só se tornarão efectivas se um forte movimento dos trabalhadores as impuser.
O capital que pague
Sejamos claros: é a classe operária que sofre em primeiro lugar, e acima de todas as outras, o desgaste da crise. Basta ver as notícias e os números dos despedimentos. E o grosso dos apoios do Estado exclui precisamente os que mais sofrem com a situação.
Não é de espantar: para os capitalistas, sair da crise é forçar os assalariados a produzirem mais valor por cada euro de capital investido. Ignorar isto é ignorar tudo.
Apelos vagos à defesa “das pessoas” ou a “outra política” estão longe de evidenciar o conflito fundamental de interesses que a crise traz à superfície; e, por isso, não traçam uma linha que ponha de um lado as necessidades da classe operária, e do outro as ambições do capital. Ora, sobretudo nas actuais condições, defender os interesses económicos e sociais da classe operária significará um ganho para todas as demais classes trabalhadoras – mas a inversa não é verdadeira.
Posta a questão neste pé, há duas necessidades vitais, imediatas, do operariado que são de defesa obrigatória: o emprego e o nível de vida. E as medidas para isso são óbvias:
Suspender os despedimentos.
Reduzir o horário de trabalho sem baixar os salários, criando mais empregos, incluindo emprego público de utilidade social.
Aumentar o poder de compra, reduzindo o leque salarial, subindo os salários e reformas mais baixos.
Destinar o dinheiro do Estado para apoiar o emprego e a produção.
Há quem veja nisto “irrealismo”. Mas irrealismo é acreditar que se possa defender as necessidades de quem trabalha sem atacar os ganhos do capital. E porque se trata de atacar os ganhos do capital, sabemos que tais medidas só se tornarão efectivas se um forte movimento dos trabalhadores as impuser.
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ARTIGOS
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
SOCIALISMO OU ESTATISMO?
SOCIALISMO OU ESTATISMO?
Maurício Tragtenberg
A reedição da obra de Rudolf Rocker, velho militante libertário
alemão na Europa e nos Estados Unidos, no Brasil, se constitui em tema de
primeira importância. R. Rocker coloca em discussão os grandes temas do
socialismo mundial: a relação Partido e classe operária, as relações do
socialismo com o Estado seja ele “burguês” ou “proletário” e a viabilidade
de um projeto socialista não burocrático e autoritário.
Mostra ele, se não quisermos o fascismo nem a social democracia
nem a burocracia autoritária stalinista ou não, temos que nos bater contra a
“direita” e ao mesmo tempo contra a exploração do trabalho pelo capital,
procurando alterar as forças no interior da “esquerda” introduzindo ali a
luta contra a divisão de trabalho, contra a hierarquia e as relações
autoritárias. Eis que os clássicos “partidos de esquerda” reduzem a
revolução social a formas consagradas, a cerimônias onde o Partido torna-
se seu próprio fim possibilitando a pessoas que gostariam de transformar
sua vida, e não podem fazê-lo, interiorizar essa transformação no simples
fato de “pertencerem” ao Partido.
O conceito de “partido histórico” surge dessa prática, o partido
perdeu sua marca revolucionária, transformou-se numa “instituição” onde
sua história foi reabsorvida. Ele é uma instituição que se dirige a indivíduos
abstratos e atomizados, enquanto uma verdadeira praxis só pode surgir a
partir de movimentos coletivos concretos. Daí a necessidade de
desenvolver nas pessoas o espírito de crítica a qualquer “ordem” e não o
respeito de uma “ordem” pretensamente revolucionária. Para Rocker a
liberdade para todos implica na sua própria liberdade, daí a história da
classe operária revelar certa consciência da liberdade, pois, se os homens
fossem semelhantes a coisas as lutas revolucionárias perderiam qualquer
sentido. Rocker entende a revolução como o acesso dos homens à
liberdade, porém além dos limites do liberalismo clássico, define que se é
livre entre iguais, a liberdade tem a igualdade como fundamento.
R. Rocker faz a crítica do “planismo de Estado” travestido de
“socialista” onde partidos hierárquicos burocráticos e centralizados
produzem estruturas burocráticas, hierárquicas e centralizadas também.
Perpetuam a separação entre “pensar” e “fazer” muitos fazem e poucos
pensam, reproduzem a separação entre “dirigentes” e dirigidos. No vasto
movimento da classe operária internacional todos são militantes, isso é que
é fundamental reter.
Especialmente significativo é o seu capítulo “Socialismo e Estado”
onde discute os temas cruciais do “socialismo burocrático” colocado
teoricamente em xeque pelos socialistas libertários do século passado como
Proudhon e Bakunin, por marxistas como Gramsci no seu primeiro período,
por Penekoek, teórico dos “conselhos operários”, e praticamente contestado
pelo gigantesco movimento de trabalhadores na Polônia em torno do
sindicato “Solidariedade”.
No capítulo anteriormente citado, Rocker discute a espinhosa
questão do “Estado de transição”, iniciando por uma crítica ao “socialismo
de Estado” de Louis Blanc e Lassalle que pretendiam utilizar o Estado
burguês para acelerar a mudança social, pretensão essa retomada pelos
partidos social democráticos da IIa. Internacional e pelo “euro comunismo”,
uma social democracia “recuperada”.
Não deixa também Rocker de criticar a tese do “Estado transitório”
ou o conceito de “Ditadura do Proletariado” como fase transitória do
capitalismo ao socialismo. Pois, em Marx não se observa uma linearidade a
respeito do tema do “desaparecimento do Estado”, pois há diferenças de
posição a respeito em textos como “O Manifesto do Partido Comunista” e
“A Guerra Civil em França”. Embora não desapareçam todas as
ambigüidades, a constante da análise de Marx reside na noção do
“debilitamento paulatino” do Estado Operário a partir de sua constituição.
É mister esclarecer que o conceito de “ditadura do proletariado” é de
Blanqui e foi desenvolvido por Lenin num sentido mais blanquista que
marxista, como notou Rosa Luxemburg em “A Revolução Russa”. Embora
Marx tenha utilizado o conceito “ditadura do proletariado” na Crítica ao
Programa de Gotha, o fez raramente depois. Entre a definição marxista e a
leninista do conceito há uma diferença básica: Marx caracteriza como
“ditadura do proletariado” uma forma de sociedade, enquanto Lenin
caracteriza-a como uma forma de governo.
A 30 de maio de 1871, Marx em “A Guerra Civil em França” adota a
tese de “ditadura do proletariado” igual a governo comunal autogestionário
que Engels, na sua Introdução à edição alemã de 1891, aponta a Comuna de
Paris “como exemplo típico de ditadura do proletariado”. Isso significa
uma revisão total das idéias a respeito expostas no “Manifesto do Partido
Comunista” em 1848: Na realidade Marx oscila entre o estatismo e o anti-
estatismo. Isso se deveu ao fato de ter sofrido influência jacobina no
sentido do estatismo e de Proudhon no sentido anti-estatista, daí suas
posturas libertárias rechaçando o “socialismo de Estado” de Louis Blanc e
Lassalle.
Outro ponto a enfatizar na atitude do socialismo libertário enquanto
prática e teoria política é sua defesa do operário não especializado, vendo
no “especializado” o germe de uma futura “aristocracia operária”, já
criticada por Marx no século XIX e Lenin no século XX que se constitui
em suporte da política social-democrática e sindical burocrática na Europa.
Por outro lado, é saudável a atitude crítica do socialismo libertário
ante a hegemonia dos intelectuais nos chamados partidos “proletários”, eis
que, os mesmos, na sua maioria de origem burguesa ou pequeno burguesa
tendem a levar ao movimento operário seus vícios de formação classista,
dominando os Comitês Centrais desses partidos e ao tomar o poder de
Estado planejam “para” o proletariado “sem” o proletariado. A hegemonia
da intelectualidade pequeno burguesa na sua maioria autoritária, carreirista
e ávida de poder se realiza através dos partidos autoritários de “esquerda”
com a legitimidade conferida pela teoria da “vanguarda” elaborada por
Kautsky e retomada por Lenin segundo a qual eles como portadores da
“ciência” levam ao proletariado por mediação do partido “a consciência
política”, pois o operário deixado a si mesmo só chegaria a um nível de
consciência econômica, argumentam Kautsky e Lenin. Na prática o que se
deu é que a camada intelectual enraizada no Partido Único no leste europeu
e na URSS tendem a se transformar numa burocracia autoritária com
privilégios e imunidades ante a classe operária, cuja contestação é dada
pelos trabalhadores hoje na Polônia. Sua ação em torno do sindicato
“Solidariedade” se constitui num saudável exercício de política operária
oposta ao chamado “socialismo burocrático” estatista.
Em suma, a obra de R. Rocker é fundamental na medida em que
mostra a possibilidade de uma prática socialista que deriva das bases - por
exemplo, os conselhos de fábrica - que atuam não só como contestação ao
modo de produção capitalista, mas também como agentes de um novo
modo de produção qualitativamente distinto do capitalista. A negação dessa
prática de “Comissões de Fábrica” como elemento fundante de uma nova
estrutura produtiva somente levou às formas de “socialismo de Estado”
onde relações capitalistas de produção regidas pela lei do valor continuam
sob roupagem nova. É isso que cabe desmistificar, daí a atualidade do
presente livro em boa hora reeditado.
Transcrito da introdução do livro As Idéias Absolutistas no Socialismo
de Rudolf Rocker
Maurício Tragtenberg
A reedição da obra de Rudolf Rocker, velho militante libertário
alemão na Europa e nos Estados Unidos, no Brasil, se constitui em tema de
primeira importância. R. Rocker coloca em discussão os grandes temas do
socialismo mundial: a relação Partido e classe operária, as relações do
socialismo com o Estado seja ele “burguês” ou “proletário” e a viabilidade
de um projeto socialista não burocrático e autoritário.
Mostra ele, se não quisermos o fascismo nem a social democracia
nem a burocracia autoritária stalinista ou não, temos que nos bater contra a
“direita” e ao mesmo tempo contra a exploração do trabalho pelo capital,
procurando alterar as forças no interior da “esquerda” introduzindo ali a
luta contra a divisão de trabalho, contra a hierarquia e as relações
autoritárias. Eis que os clássicos “partidos de esquerda” reduzem a
revolução social a formas consagradas, a cerimônias onde o Partido torna-
se seu próprio fim possibilitando a pessoas que gostariam de transformar
sua vida, e não podem fazê-lo, interiorizar essa transformação no simples
fato de “pertencerem” ao Partido.
O conceito de “partido histórico” surge dessa prática, o partido
perdeu sua marca revolucionária, transformou-se numa “instituição” onde
sua história foi reabsorvida. Ele é uma instituição que se dirige a indivíduos
abstratos e atomizados, enquanto uma verdadeira praxis só pode surgir a
partir de movimentos coletivos concretos. Daí a necessidade de
desenvolver nas pessoas o espírito de crítica a qualquer “ordem” e não o
respeito de uma “ordem” pretensamente revolucionária. Para Rocker a
liberdade para todos implica na sua própria liberdade, daí a história da
classe operária revelar certa consciência da liberdade, pois, se os homens
fossem semelhantes a coisas as lutas revolucionárias perderiam qualquer
sentido. Rocker entende a revolução como o acesso dos homens à
liberdade, porém além dos limites do liberalismo clássico, define que se é
livre entre iguais, a liberdade tem a igualdade como fundamento.
R. Rocker faz a crítica do “planismo de Estado” travestido de
“socialista” onde partidos hierárquicos burocráticos e centralizados
produzem estruturas burocráticas, hierárquicas e centralizadas também.
Perpetuam a separação entre “pensar” e “fazer” muitos fazem e poucos
pensam, reproduzem a separação entre “dirigentes” e dirigidos. No vasto
movimento da classe operária internacional todos são militantes, isso é que
é fundamental reter.
Especialmente significativo é o seu capítulo “Socialismo e Estado”
onde discute os temas cruciais do “socialismo burocrático” colocado
teoricamente em xeque pelos socialistas libertários do século passado como
Proudhon e Bakunin, por marxistas como Gramsci no seu primeiro período,
por Penekoek, teórico dos “conselhos operários”, e praticamente contestado
pelo gigantesco movimento de trabalhadores na Polônia em torno do
sindicato “Solidariedade”.
No capítulo anteriormente citado, Rocker discute a espinhosa
questão do “Estado de transição”, iniciando por uma crítica ao “socialismo
de Estado” de Louis Blanc e Lassalle que pretendiam utilizar o Estado
burguês para acelerar a mudança social, pretensão essa retomada pelos
partidos social democráticos da IIa. Internacional e pelo “euro comunismo”,
uma social democracia “recuperada”.
Não deixa também Rocker de criticar a tese do “Estado transitório”
ou o conceito de “Ditadura do Proletariado” como fase transitória do
capitalismo ao socialismo. Pois, em Marx não se observa uma linearidade a
respeito do tema do “desaparecimento do Estado”, pois há diferenças de
posição a respeito em textos como “O Manifesto do Partido Comunista” e
“A Guerra Civil em França”. Embora não desapareçam todas as
ambigüidades, a constante da análise de Marx reside na noção do
“debilitamento paulatino” do Estado Operário a partir de sua constituição.
É mister esclarecer que o conceito de “ditadura do proletariado” é de
Blanqui e foi desenvolvido por Lenin num sentido mais blanquista que
marxista, como notou Rosa Luxemburg em “A Revolução Russa”. Embora
Marx tenha utilizado o conceito “ditadura do proletariado” na Crítica ao
Programa de Gotha, o fez raramente depois. Entre a definição marxista e a
leninista do conceito há uma diferença básica: Marx caracteriza como
“ditadura do proletariado” uma forma de sociedade, enquanto Lenin
caracteriza-a como uma forma de governo.
A 30 de maio de 1871, Marx em “A Guerra Civil em França” adota a
tese de “ditadura do proletariado” igual a governo comunal autogestionário
que Engels, na sua Introdução à edição alemã de 1891, aponta a Comuna de
Paris “como exemplo típico de ditadura do proletariado”. Isso significa
uma revisão total das idéias a respeito expostas no “Manifesto do Partido
Comunista” em 1848: Na realidade Marx oscila entre o estatismo e o anti-
estatismo. Isso se deveu ao fato de ter sofrido influência jacobina no
sentido do estatismo e de Proudhon no sentido anti-estatista, daí suas
posturas libertárias rechaçando o “socialismo de Estado” de Louis Blanc e
Lassalle.
Outro ponto a enfatizar na atitude do socialismo libertário enquanto
prática e teoria política é sua defesa do operário não especializado, vendo
no “especializado” o germe de uma futura “aristocracia operária”, já
criticada por Marx no século XIX e Lenin no século XX que se constitui
em suporte da política social-democrática e sindical burocrática na Europa.
Por outro lado, é saudável a atitude crítica do socialismo libertário
ante a hegemonia dos intelectuais nos chamados partidos “proletários”, eis
que, os mesmos, na sua maioria de origem burguesa ou pequeno burguesa
tendem a levar ao movimento operário seus vícios de formação classista,
dominando os Comitês Centrais desses partidos e ao tomar o poder de
Estado planejam “para” o proletariado “sem” o proletariado. A hegemonia
da intelectualidade pequeno burguesa na sua maioria autoritária, carreirista
e ávida de poder se realiza através dos partidos autoritários de “esquerda”
com a legitimidade conferida pela teoria da “vanguarda” elaborada por
Kautsky e retomada por Lenin segundo a qual eles como portadores da
“ciência” levam ao proletariado por mediação do partido “a consciência
política”, pois o operário deixado a si mesmo só chegaria a um nível de
consciência econômica, argumentam Kautsky e Lenin. Na prática o que se
deu é que a camada intelectual enraizada no Partido Único no leste europeu
e na URSS tendem a se transformar numa burocracia autoritária com
privilégios e imunidades ante a classe operária, cuja contestação é dada
pelos trabalhadores hoje na Polônia. Sua ação em torno do sindicato
“Solidariedade” se constitui num saudável exercício de política operária
oposta ao chamado “socialismo burocrático” estatista.
Em suma, a obra de R. Rocker é fundamental na medida em que
mostra a possibilidade de uma prática socialista que deriva das bases - por
exemplo, os conselhos de fábrica - que atuam não só como contestação ao
modo de produção capitalista, mas também como agentes de um novo
modo de produção qualitativamente distinto do capitalista. A negação dessa
prática de “Comissões de Fábrica” como elemento fundante de uma nova
estrutura produtiva somente levou às formas de “socialismo de Estado”
onde relações capitalistas de produção regidas pela lei do valor continuam
sob roupagem nova. É isso que cabe desmistificar, daí a atualidade do
presente livro em boa hora reeditado.
Transcrito da introdução do livro As Idéias Absolutistas no Socialismo
de Rudolf Rocker
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MAURÍCIO TRAGTENBERG
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