segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Izvestia de Kronstadt em 16 de março de 1921

Izvestia de Kronstadt em 16 de março de 1921

(Publicação que acontece durante o movimento insurgente de Kronstadt)



“Ao fazer a Revolução de Outubro, os marinheiros, os soldados vermelhos, os operários e os camponeses derramaram seu sangue pelo poder dos Sovietes, pela edificação de uma República dos trabalhadores. O partido comunista anotou com exatidão as aspirações das massas. Tendo inscrito em sua bandeira slogans atraentes que entusiasmavam os trabalhadores, ele arrastou-os na luta e prometeu-lhes conduzi-los para o bom reino do socialismo que apenas os bolcheviques saberiam construir. Naturalmente, uma alegria infinita tomou conta dos operários e camponeses. ‘Enfim, a escravidão sob o jugo dos grandes proprietários e dos capitalistas entrará para o domínio das lendas’, pensaram eles. Parecia que havia chegado o tempo do livre trabalho nos campos, fábricas e manufaturas. Parecia que o poder iria passar às mãos dos trabalhadores.

Através de um propaganda hábil, os inexperientes do povo trabalhador foram atirados nas fileiras do partido, onde foram submetidos a uma disciplina rigorosa. Em seguida, sentindo-se fortes, os comunistas, progressivamente, eliminaram do poder os socialistas das outras tendências, após o que expulsaram de numerosos postos do Estado os operários e camponeses, continuando a governar em seu nome. Os comunistas substituíram assim do poder os socialistas das outras tendências, após o que expulsaram de numerosos postos do Estado os operários e camponeses, continuando a governar em seu nome. Os comunistas substituíram assim o poder que haviam usurpado pela tutela dos comissários com toda a arbitrariedade do poder pessoal. Contra toda a razão, e contrariamente à vontade dos trabalhadores, começaram então a construir obstinadamente um socialismo estatizante, com escravos, em vez de fundar uma sociedade baseada sobre o trabalho livre.

Estando a indústria totalmente desorganizada, apesar do ‘controle operário’, os bolcheviques realizaram a ‘nacionalização das fábricas e manufaturas’. De escravo do capitalista, o operário foi transformado em escravo das empresas de Estado. Em breve isso não era mais suficiente. Projetou-se a aplicação do sistema Taylor. Toda a massa dos trabalhadores foi declarada inimiga do povo e destinada aos Kulaks. Bastante empreendedores, os comunistas aspiram arruinar os camponeses e a instaurar as explorações soviéticas, isto é, as propriedades do novo explorador agrário: o Estado. Isso foi tudo o que os camponeses obtiveram do socialismo bolchevique, em lugar do trabalho livre sobre a terra libertada que tinham esperado. Em troca do pão e do gado, quase que inteiramente requisitados, obteve-se as razias dos thcekistas e os fuzilamentos em massa. Bom sistema de trocas para um Estado dos trabalhadores: chumbo e baionetas no lugar de pão! A vida do cidadão tornou-se monótona e banal até a morte, regulada segundo as prescrições das autoridades. Em vez de uma vida animada pelo trabalho livre e pela evolução dos indivíduos, surgiu uma escravidão inaudita, inacreditável. Todo pensamento independente, toda a crítica justa sobre os atos dos governantes criminosos tornou-se um crime punido com a prisão e seguido pela morte. A pena de morte, essa vergonha da humanidade, desabrochou na ‘pátria socialista’. Tal é o bom reinado do socialismo para onde a ditadura do partido comunista nos conduziu.

Obtivemos o socialismo de Estado com os Sovietes de funcionários que votaram docilmente o que a autoridade e seus comissários infalíveis lhes ditam. A palavra de ordem ‘aquele que não trabalha não come’ foi modificada sob esse bom regime ‘dos Sovietes’: ‘Tudo para os comissários’. E quanto aos operários, camponeses e trabalhadores intelectuais, bem, eles só têm de realizar seu trabalho no ambiente de uma prisão. Isso tornou-se insuportável. A Kronstadt revolucionária quebrou as correntes e arrebentou as grades da prisão; luta pela verdadeira República Soviética dos trabalhadores, onde o próprio produtor será o senhor dos produtos de seu trabalho e disporá deles como quiser.”


No livro AVRON, Henri - A revolta de Kronstadt

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